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Controle de Pragas: Mitos e Verdades da Legislação e Normas

Controle de Pragas: Mitos e Verdades da Legislação e Normas

A gestão de um condomínio ou empresa envolve inúmeras responsabilidades, e o controle de pragas é uma das mais críticas para a saúde e segurança de todos. No entanto, a desinformação e os mitos sobre a legislação podem levar a decisões equivocadas, colocando em risco não apenas a eficácia do serviço, mas também a conformidade legal do estabelecimento. Entender as normas vigentes não é apenas uma obrigação, mas um passo fundamental para garantir um ambiente verdadeiramente protegido.

A Base Legal do Controle de Pragas: O que Realmente Diz a Lei?

Muitos gestores acreditam que contratar qualquer serviço de “dedetização” é suficiente, mas a realidade é muito mais complexa e regulamentada. A principal norma que rege o setor no Brasil é a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 52/2009 da ANVISA. Esta resolução estabelece as regras de funcionamento para empresas especializadas em controle de vetores e pragas urbanas, definindo um padrão de qualidade e segurança para os procedimentos.

De acordo com a RDC 52, toda empresa controladora de pragas precisa, obrigatoriamente, possuir Licença Sanitária (ou Alvará Sanitário) expedida pela autoridade sanitária competente do estado ou município. Além disso, é exigida a presença de um Responsável Técnico habilitado (como biólogo, engenheiro agrônomo, médico veterinário, entre outros), que se responsabiliza por todas as etapas do serviço, desde a avaliação do local até a escolha dos produtos e a orientação da equipe. Contratar uma empresa sem essas credenciais é ilegal e expõe o contratante a riscos sanitários e jurídicos.

Mitos Comuns na Contratação de Serviços de Dedetização

A falta de conhecimento técnico abre espaço para mitos que podem comprometer a eficiência do controle de pragas. Vamos desvendar alguns dos mais comuns:

Mito 1: “Quanto mais forte o cheiro do produto, mais eficaz.”

Verdade: Este é um dos enganos mais perigosos. O cheiro forte geralmente está associado a solventes e não ao princípio ativo do inseticida. A indústria moderna desenvolveu produtos de alta tecnologia, como formulações microencapsuladas, géis e iscas atrativas, que são extremamente eficazes, possuem baixo odor e oferecem maior segurança para pessoas e animais domésticos. A eficácia está na técnica de aplicação e na formulação correta, não na intensidade do cheiro.

Mito 2: “Uma aplicação anual é o suficiente.”

Verdade: Não existe uma frequência única que sirva para todos os casos. A periodicidade do controle de pragas em condomínios e empresas deve ser definida com base em um diagnóstico técnico. Fatores como a praga-alvo, o nível de infestação, as condições estruturais do imóvel e a sazonalidade influenciam no planejamento. O Manejo Integrado de Pragas (MIP), conceito moderno e recomendado pelas normas, preconiza o monitoramento contínuo e ações preventivas, com aplicações químicas apenas quando estritamente necessário.

Mito 3: “Dedetização e controle de pragas são a mesma coisa.”

Verdade: Embora usados como sinônimos, os termos têm significados distintos. “Dedetização” é uma palavra antiga, derivada do DDT, um inseticida hoje proibido. O termo técnico e correto é Controle de Pragas ou, de forma mais completa, Manejo Integrado de Pragas (MIP). O MIP é uma abordagem holística que combina diferentes estratégias: controle químico, barreiras físicas, boas práticas de higiene e educação sanitária, visando resultados sustentáveis e de longo prazo.

Prevenção e Boas Práticas: O Papel Ativo do Gestor

O sucesso do controle de pragas não depende apenas da empresa contratada; a gestão do local tem um papel crucial. Ações preventivas são a forma mais inteligente e econômica de manter o ambiente livre de vetores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que pragas urbanas como ratos, baratas e mosquitos são vetores de mais de 40 doenças, tornando a prevenção uma questão de saúde ambiental pública. Além disso, segundo dados do SINITOX/Fiocruz, domissanitários (produtos de limpeza e inseticidas) são uma causa significativa de intoxicação humana no Brasil, reforçando a necessidade de contratar profissionais qualificados para a aplicação segura.

Para ajudar síndicos e administradores, listamos 5 dicas práticas e essenciais:

  • Gestão de Resíduos: Garanta que o lixo seja acondicionado em lixeiras com tampa e removido com frequência. A higienização dos locais de armazenamento de lixo é fundamental para evitar a atração de baratas e roedores.
  • Manutenção Predial: Vede frestas, rachaduras em paredes e pisos, instale telas em ralos e janelas. A maioria das pragas entra nos edifícios por meio de pequenas aberturas estruturais.
  • Controle da Umidade: Conserte vazamentos e infiltrações. Ambientes úmidos e escuros, como porões e caixas de gordura, são ideais para a proliferação de baratas, formigas e escorpiões.
  • Higienização de Áreas Comuns: Mantenha cozinhas, refeitórios e áreas de lazer sempre limpos, sem restos de alimentos expostos que possam servir de fonte de alimento para as pragas.
  • Comunicação e Educação: Oriente moradores e colaboradores sobre a importância de não alimentar animais nas áreas comuns e de acondicionar corretamente o lixo doméstico para fortalecer a barreira sanitária coletiva.

Conclusão: A Escolha Inteligente para um Ambiente Seguro

Navegar pela legislação e pelas práticas de controle de pragas pode parecer complexo, mas a informação é a melhor ferramenta contra os mitos e os riscos. Compreender que o controle de pragas é um serviço técnico, regulamentado e essencial para a saúde ambiental é o primeiro passo para uma gestão responsável. Investir em prevenção e na contratação de uma empresa certificada, que siga as normas da ANVISA e adote o Manejo Integrado de Pragas, não é um custo, mas uma garantia de bem-estar, segurança e valorização do seu patrimônio.

Não arrisque a saúde de seus moradores ou colaboradores com soluções amadoras. Entre em contato com uma empresa de controle de pragas especializada e garanta um plano de ação personalizado, eficaz e totalmente em conformidade com a lei.

Gabriel Locatelli (Gabriel Ambiental) Gabriel Locatelli Marques da Silva, conhecido como Gabriel Ambiental, é Gestor Ambiental e Engenheiro Civil com registro no CRQ-SP, especialista em controle de pragas urbanas, saneamento ambiental e gestão de empresas de serviços. Fundador da Ártica Saúde Ambiental e da PestX Tech Brasil, atua há mais de uma década transformando o setor com soluções inovadoras, tecnológicas e sustentáveis para o controle de pragas, limpeza de reservatórios e desentupimentos. Reconhecido pela sua abordagem técnica, ética e educativa, Gabriel é palestrante em eventos sobre saúde ambiental, tecnologia e gestão empresarial, além de criador de conteúdos que unem ciência, inovação e empreendedorismo. Seu propósito é elevar o padrão de qualidade e profissionalismo no setor de controle de pragas no Brasil, formando e inspirando novas gerações de empreendedores ambientais.

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